No inverno... uma bela sopa de cebola (a la Paris)

No começo deste ano, eu e o Fá tivemos a extraordinária oportunidade de realizarmos um dos nossos mais antigos sonhos: visitar Paris! 'Que marravilha', parafraseando o mais que francês e mais simpático chef, Claude Troisfros!

Muitos vão dizer (como disseram) que é loucura ir a Paris em pleno inverno. Mas depois de aturar -10ºC (com sensação términa de -20ºC, com todo aquele vento) em Nova Iorque - no ano das grandes nevascas (2013) - qualquer coisa menos fria seria fácil!

De fato, Paris não é tão fria... ou, pelo menos, não foi. Ficamos muito bem, com poucos casacos, na casa dos 3 a 7ºC, em pleno fevereiro. Sim, isso não é muito frio - dá para viver tranquilamente, sem grandes problemas.

Les Deux Palais, Île-de-la-Cité
Mas posso dizer que o que arruinou meu humor nessa viagem foi aquele inferno-de-garoa-chata-que-não-parava! Que saco! Toda a hora garoava, toda a hora o tempo fechava, as nuvens chegavam e caía a chuvinha... Nem era chuva de verdade, era só chuvisco, garoa mesmo, daquelas que irritam. De qualquer forma, isso com certeza não estragou o brilho de Paris, principalmente após o momento epifânico no Centre Pompidou - já que quando pedi neve e ela veio, de uma forma bem irreverente...

Paris é linda, cheia de história - não usávamos nem tangas aqui no (ainda não 'descoberto') Brasil e eles já construíam cidades e monumentos monstruosos, já tinham uma civilização daquelas como conhecemos hoje... A Torre Eiffel é fantástica (principalmente à noite), mas, na minha opinião, não há nada como o Arco do Triunfo e seus 422 degraus (eita subidinha que mata, mas que vale a pena!!!). Sem contar Palácio de Versalhes, Reims (a terra da champagne), Madeleine, Panteão, Notre Dame, Sainte Chapelle (o que dizer dessas duas últimas?).... Eu poderia descrever todos os lugares que vimos com detalhes ímpares!


Mas, enfim, falar em Paris e não falar em gastronomia, não é falar de Paris! Sob esse aspecto, Nova Iorque que me perdoe, mas não há comparação. Em Paris, você consegue sentir: até a comida tem história; lá, a refeição é muito mais que beber e comer, é um prazer em si mesmo.

Muitas foram as comidas diferentes - que com certeza vou testar aqui, como o mil folhas de maçã verde, com caranguejo e abacate (bem sabor de verão)! Mas, por outro lado, muitas foram as comidas tipicamente francesas que não podem deixar de estar no cardápio...

Uma delas com certeza é a soupe à l'oignon ou sopa de cebolas.

Angelina, Palácio de Versalhes
Experimentei duas versões: uma no Angelina (ao lado), restaurante fino que caiu como uma luva (e um presente) no nosso passeio dentro do Palácio de Versalhes e a outra, no Les Deux Palais (acima), na Île-de-la-Cité (aquela ilhazinha dentro do Sena - o restaurante fica entre a Saint Chapelle e a Notre Dame).

Tenho que ser muito sincera: da versão do Angelina lembro do gosto até hoje - aquele caldo espesso, extrato de cebola, na temperatura certa, coroado com aquela camada de queijo gruyère fantástica! Nossa, que bálsamo depois de horas caminhando naquele vasto e lindo jardim (na chuvinha)!

Mas a versão do Les Deux Palais não deixa nada a desejar: além de honesta e muito boa, é reconfortante. Aliás, nesse restaurante tivemos um dos melhores serviços - o garçom era muito, muito simpático e até arranhou algumas palavras em português!

Opa, o saudosismo tomou conta! E exatamente por isso, nesse inverno maluco de São Paulo - uma estação do ano por dia - aproveitamos um dia que fez frio e resolvemos fazer uma sopinha de cebola.

Verdade seja dita: eu não fiz nada, apenas forneci a receita (que tirei daqui, idêntica a do folheto que peguei no Festival de Sopas do Ceagesp anos atrás). Os méritos são todos do Fá!!!!! Palmas para ele e sua sopa de cebola!!!! Meu presente de aniversário!


Ingredientes (para 10 porções)

1kg de cebola
1/2kg de músculo
300g de tomate
200g de cenoura
250g de farinha de trigo
150g de queijo parmesão ralado
100g de manteiga
4 litros de água
300ml de vinho branco
2 talos de salsão
1 alho-poró inteiro, com folhas
2 dentes de alho
1 folha de louro
1 pão francês
Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

Em uma panela grande (capacidade para seis litros*), refogue, na manteiga, o alho, as 2 cebolas (cordadas em 4 pedaços), a cenoura, o alho-poró, o músculo, tudo previamente picado, com a folha de louro, sal e pimenta do reino. Acrescente a água e cozinhe em fogo baixo, em panela de pressão, por uma hora. Em outra panela, adicione a manteiga, a farinha e a cebola (cortada em tiras finas), e mexa até que fique tudo bem misturado. Adicione o caldo e refogue por 20 minutos. Transfira para uma sopeira ou ramequins individuais, corte fatias grossas de pão francês e mergulhe na sopa. Acrescente o queijo parmesão ralado. Leve ao forno entre 180ºC e 200ºC, por dez minutos para gratinar**. Sirva bem quente.

*Se você não tiver uma panela dessas ou só tiver uma panela de pressão 'normal', deixe a carne, com alguns legumes, na panela de pressão, com uma parte da água (não encha a panela até o topo, deixe pelo menos uns 4 dedos sem água) e o restante coloque numa panela normal. Quando a carne reduzir, você pode juntar tudo...

**Se você não tiver ramequins (aqueles potinhos individuais) em número suficiente, também é possível fazer o pão com queijo gratinado e servir sobre a sopa. Não é a melhor forma de servir, mas...

PS: sobre o Festival de Sopas do Ceagesp, deixei todas minhas impressões e comentários aqui.

Bon appétit!

Comentários

  1. Seus posts são muito bem elaborados. Você deveria ser escritora profissiona. Manja demais.

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